Slaughterhouse-Five – Kurt Vonnegut

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Terminei de ler esse livro há mais de um mês. Li de maneira bem desordenada, uma página aqui, duas acolá, nos pequenos intervalos que tinha enquanto escrevia minha monografia. Vale a pena aqui lembrar onde ouvi falar dessa obra: no ano passado vi um pedaço de Footlose, aquele filme dançante com Kevin Bacon. O ator interpreta um adolescente que chega a uma pequena cidade onde a música e a dança foram banidas por um pastor conservador. Lembro que ele conversa com um professor ou mesmo o pastor, não lembro direito, e diz que o último livro que leu foi Slaughterhouse-Five, o que causa um tremendo impacto. Fiquei curioso com isso e fui atrás do livro. Acabei descobrindo que se trata de uma história satírica centrada no impacto que o bombardeio de Dresden, na Alemanha, causou em Billy Pilgrim, um soldado americano instável psicologicamente.

O livro tem três títulos: o curto, o longo e o extremamente longo.

– Slaughterhouse-Five (Matadouro Cinco);

– Slaughterhouse-Five, or The Children’s Crusade (Matadouro Cinco, ou a Cruzada das Crianças);

– Slaughterhouse-Five, or The Children’s Crusade: A Duty Dance with Death, by Kurt Vonnegut, a Fourth-Generation German-American Now Living in Easy Circumstances on Cape Cod [and Smoking Too Much], Who, as an American Infantry Scout Hors de Combat, as a Prisoner of War, Witnessed the Fire Bombing of Dresden, Germany, ‘The Florence of the Elbe,’ a Long Time Ago, and Survived to Tell the Tale. This Is a Novel Somewhat in the Telegraphic Schizophrenic Manner of Tales of the Planet Tralfamadore, Where the Flying Saucers Come From. Peace. (aqui a tradução é mais complicada, portanto, tenham compreensão: Matadouro Cinco, ou A Cruzada das Crianças: Uma dança obrigatória com a morte, por Kurt Vonnegut, um Teuto-Americano de quarta geração atualmente vivendo em circunstâncias tranquilas em Cape Cod (e fumando demais), que, enquanto Batedor da Infantaria Americana fora do combate, como prisioneiro de guerra, testemunhou o bombardeio de Dresde, Alemanha, “A Florença do Elba”, há bastante tempo, e sobreviveu para contar a história. Este é um romance mais ou menos do jeito telegráfico-esquizofrênico de se contar histórias no planeta Tralfamadore, de onde os discos voadores vêm. Paz.).

É um romance bem escrito, com frases curtas e muita ironia. Esta foi a maneira que o autor encontrou de lidar com um tema sério e trágico, e considero que ele foi por demais bem sucedido, já que seria muito complicado retratar de maneira realista um impacto de uma tragédia daquela dimensão na vida daqueles soldados, ainda crianças na visão do autor. Billy Pilgrim, o personagem principal, é um oftalmologista meio sem querer, que se casou meio sem querer e que depois de ter sido abduzido por extraterrestres do planeta Tralfamadore, viaja no tempo. Isso acontece porque para os Tralfamadorianos não existe a limitação de tempo e espaço. Você nunca morre e sempre está morto, e todos os momentos são contínuos. Billy Pilgrim abre os olhos e percebe que voltou no tempo e está na Alemanha, como um prisioneiro de guerra. Instantes depois está em Tralfamadore, numa espécie de zoológico no qual ele é o único espécime em exposição, sendo observado por centenas de Talfamadorianos. Ao seu lado aparece então uma belíssima modelo, nua, que acabou de ser abduzida pelos Tralfamadorianos para que eles possam observar como os terráqueos fazem conversam ou fazem sexo. Mais um segundo e Billy Pilgrim percebe que viajou no tempo novamente, agora depois de sofrer um colapso nervoso, e sua filha tenta interná-lo em um hospital psiquiátrico. Mas a viagem mais recorrente é de volta ao seu tempo enquanto prisioneiro de guerra, numa saga que culmina com o bombardeio que reduziu Dresden (e boa parte dos seus habitantes) a cinzas.

Assim é o livro. Meio louco, mas irresistível. É um manifesto contra a guerra, naturalmente, e nos põe a pensar se é mais louco imaginar-se abduzido por extraterrestres e viajando no tempo ou encontrar justificativa para lançar bombas incendiárias sobre crianças e mulheres completamente inocentes.

O livro é curto e, o estilo do autor não deixa o leitor desorientado em nenhum momento. Lembrei de O vendedor de armas, de Hugh Laurie, o House, sobre o qual escrevi aqui (https://catalisecritica.wordpress.com/2011/05/26/o-vendedor-de-armas-hugh-laurie/). Não estou dizendo que os livros se equivalem em qualidade, apenas que o que Hugh Laurie tentou fazer em relação ao estilo (acidez crônica, cinismo, sátira, ironia) sem sucesso, justamente por causa do exagero caricatural, Kurt Vonnegut fez com maestria.

Uma obra altamente recomendada que, apesar dos 43 anos de existência e de contar uma história passada há quase 60 anos continua, infelizmente, muito atual.

Minha avaliação:

5 estrelas de 5

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