Lampião & Lancelote – Fernando Vilela

lampiao

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Como seria o encontro entre Lampião, o rei do cangaço, temido bandido que aterrorizou o nordeste no início do século XX, e Lancelote, o melhor dos cavaleiros da Távola Redonda, dos tempos do Rei Artur?

Esta obra prima de Fernando Vilela (que escreveu e ilustrou) traz a resposta. Misturando habilmente o estilo de literatura de cordel com uma emulação do estilo capa/espada, Fernando Vilela mostra intimidade com o verbo. De maneira clássica, ele começa apresentando os personagens, a começar por Lancelote:

— 

Meu povo peço licença

Para lhes apresentar

O primeiro personagem

Que vai aqui desfilar

Bom e nobre cavaleiro

Valoroso e altaneiro

Passa a vida a galopar

— 

Ele é forte e dedicado

Seu cavalo é todo branco

Trajado em armadura prata

Capa de bordado santo

A luz do sol se reflete

Feito dardo se arremete

Todos cegam de espanto

Em seguida, é a vez de Lampião ser apresentado:

— 

Agora eu lhes apresento

Um grande cangaceiro

Nascido em nosso país

Leal e bom companheiro

Para uns foi criminoso

Para outros justiceiro

— 

Criado nas terras secas

Vaqueiro trabalhador

Cuidava de um ralo gado

Com coragem e com valor

Seu nome era Virgulino

Mas um dia veio a dor

O encontro dos dois é, naturalmente, explicado de maneira fantástica. É também natural esperar que não vai ser dos mais amistosos, como desvelam as seguintes palavras (deixo ao encargo do leitor adivinhar quem disse isso):

Ó donzelinho enfeitado

Todo coberto de ferro

Você nem sabe quem sou

E já vai me dando um berro

Se eu quiser te mato agora

Neste chão eu te enterro

A história é bem curta, mas nela há espaço até para uma mistura inusitada de ritmos. Não é o texto, contudo, o destaque do livro, mas as ilustrações, belíssimas, desconcertantes, surpreendentes, enfim, merecedoras de diversos adjetivos.

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O livro é bem grande: 248 mm de largura por 355 mm de comprimento. Cada centímetro do livro é aproveitado, num projeto gráfico que é a cara da Cosac Naify. Todas as ilustrações são feitas em folha dupla, com exceção de uma ilustração central, que usa nada menos que QUATRO páginas para ilustrar a batalha!

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É quase impossível não se encantar com este livro. Fica fácil entender por que ganhou tantos prêmios, como faz absoluta questão de enfatizar a Cosac Naify, ao rotular Lampião & Lancelote como o mais premiado livro do Brasil.

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Em resumo, posso dizer que é o mais belo livro da minha pequena biblioteca, e um dos mais belos que já tive em minhas mãos. Uma obra de arte!

Minha Avaliação:

5 estrelas em 5

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3 Respostas para “Lampião & Lancelote – Fernando Vilela

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