Minhas leituras em 2012

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Como não li tantos livros este ano (entre o final de janeiro e o início de maio não li praticamente nada), decidi listar aqui tudo que fez parte do meu mundo literário (pelo menos tudo que eu lembrar). Está mais ou menos em ordem cronológica:

1 – A trilogia Dupin – Edgar Allan Poe

Três contos para conhecer um dos personagens que inspirou Sherlock Holmes. Não foi um livro que me conquistou, mas a leitura vale a pena, já que ainda é um Poe.

2 – Elogio da Mentira – Patrícia Melo

Um dos poucos livros que li este ano e sobre o qual acabei não escrevendo. Patrícia Melo é uma das escritoras brasileiras contemporâneas de maior sucesso. Meu primeiro contato com ela não foi muito promissor. Trata-se de um livro regular, com gostinho de déjà vu.

3 – O Homem que Matou o Escritor – Sérgio Rodrigues

Mais um que li no início do ano e sobre o qual não escrevi. Gosto muito de acompanhar os blogs Todoprosa e Sobre Palavras, de Sérgio Rodrigues. No geral, os contos deste livro não me agradaram.

4 – Homem Comum – Philip Roth

Depois da leitura de O Complexo de Portnoy, Roth tornou-se um dos meus autores favoritos. Homem Comum é um livro triste, grave, mas a história ali narrada é tocante.

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5 – Atonement (Reparação) – Ian McEwan

É possível se encantar com um livro mesmo depois de você ter visto a sua bem executada adaptação cinematográfica? Depois de ter visto Desejo e Reparação, lamentei bastante não ter lido antes o livro de Ian McEwan, por saber que o impacto da revelação final seria incomparavelmente mais contundente por meio das palavras, já que é por meio delas que toda a surpresa é desenvolvida. Mesmo já conhecendo a história, Atonement não deixa de ser sensacional. Um dos melhores livros que li este ano, sem dúvida.

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6 – Never let me go (Não me abandone jamais) – Kazuo Ishiguro

Livro fabuloso, emocionante, belo, merecedor de toda sorte de adjetivos. O autor inventa um mundo futurista bem elaborado. Ao invés de nos apresentar grandes dilemas, grandes batalhas de escala mundial, ele pega um casal e, na pequenez e insignificância deles, nos apresenta grandes dilemas, grandes batalhas. Também figura como um dos melhores livros do ano.

7 – Slaughterhouse-Five (Matadouro 5)– Kurt Vonnegut

Livro desconcertante sobre a guerra e seus efeitos maléficos. Leitura indispensável.

8 – A Tormenta de Espadas e 9 – O Festim dos Corvos – George R. R. Martin

Uma das melhores séries de fantasia já escritas, e ela ainda está sendo escrita! Precisa dizer mais?

10 – The Comfort of Strangers – Ian McEwan

Um livro frustrante do autor de Reparação. Após um início promissor, estabelecendo bem dois dos personagens principais da trama, Ian McEwan parece ter tido pressa para terminar, atropelando a narrativa e deixando uma péssima impressão ao final da leitura.

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11 – Beatrice and Virgil (Beatriz e Virgílio) – Yann Martel

Um livro que me causou uma comoção inesperada. Yann Martel mostra não somente dominar a técnica narrativa – a história é contada de maneira bem original, misturando memórias de um escritor e uma peça de teatro aparentemente pueril – como ser dono de uma sensibilidade única. O final de Beatriz e Virgílio é tão triste quanto um livro pode ser. Deixou em mim um imenso nó na garganta e a certeza de que eu havia lido o livro do ano.

12 – Abraçado ao meu rancor – João Antônio (aqui  e aqui)

Um dos grandes contistas brasileiros mostra seu talento. Literatura de rua, marginal, suja, com tudo de bom que isso tem.

13 – O Filho Eterno – Cristóvão Tezza

Um dos grandes livros que li esse ano. Tezza abre sua alma até o último nível, mostrando suas misérias e, claro, seu talento como escritor.

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14 – Lolita – Vladimir Nabokov

Um dos maiores clássicos da literatura mundial. Li com toda a reverência natural e inevitável num caso como esse e não pude deixar de me render à magia criada por Nabokov. Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul.

15 – Passageiro do fim do dia – Rubens Figueiredo

Uma das agradáveis surpresas de 2012. Rubens Figueiredo, um dos tradutores mais respeitados do Brasil, é um escritor de mão cheia. Narra a viagem de ônibus de um jovem simples, que vai para um subúrbio ver a sua amada. Com uma capacidade de criar cenas visuais de deixar qualquer um de queixo caído, Figueiredo sem dúvida é um autor que eu quero ler novamente.

16 – Sob o peso das sombras – Francisco J. C. Dantas

Francisco J. C. Dantas é um dos melhores escritores brasileiros da atualidade, na minha modesta opinião. Ele mantém uma coesão impressionante na sua obra (ao menos em relação ao que já li dele), e aqui neste livro não é diferente. A história de um homem que passa a sua vida sob o peso das sombras, lidando com suas inseguranças, com seu rancor, com suas frustrações, sua doença… Grande livro.

17 – Famílias Terrivelmente Felizes – Marçal Aquino

Li cerca de 60% dos contos e depois, num claro sintoma de que o que li não me agradou muito, acabei deixando de lado, para depois. Retornarei oportunamente e escreverei. Marçal Aquino me deixou boquiaberto com Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, mas o mesmo efeito não aconteceu aqui.

18 – Festa na Usina Nuclear – Rafael Sperling

Livro de estreia de Rafael Sperling. Alguns contos bem malucos (bem malucos mesmo!) outros apenas malucos. Fica claro o talento desse jovem escritor. Que venham mais livros!

19 – Jaime Bunda – Pepetela

Uma história de detetives passada em Ruanda, cujo protagonista é um estagiário do serviço secreto fã de histórias americanas de detetives e dono de grandes nádegas. Muito humor, mas, principalmente, uma grande crítica política. Pepetela mostra um talento inegável como escritor.

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20 – O Clube do Suicídio – Robert Louis Stevenson

Um dos meus favoritos de 2012, finalmente descobri que Robert Louis Stevenson não é um autor para crianças, mas um grande contador de histórias. Todas os contos deste livro são absolutamente brilhantes.

21 – O Cão Fantasma – Ivan Turguêniev

Conto publicado pela Editora 34, não me impressionou. Talvez eu precise reler com menos pressa.

22 – Flaubert – Três Contos

Não tinha inserido Flaubert na minha lista este ano, mas fui ao médico e acabei levando o livrinho da Cosac Naify. Deu tempo de ler Um Coração Simples, a história de uma vida simples, uma mulher para quem a sorte quase sorriu, mas que acabou levando uma vida inteira como coadjuvante. Flaubert é um mago, só pode. Ele pega uma história que a priori não tem qualquer atrativos, e sem fazer grandes floreios, com um estilo de escrever travestido em simplicidade, produz uma espécie de encantamento. Ao final do conto, nos perguntamos: como isso é possível? Um Coração Simples é um conto marcante, inesquecível.

23 – Lampião & Lancelote – Fernando Vilela

Pequena obra-prima infantil publicada pela Cosac Naify.

24 – Deuses Americanos – Neil Gaiman

Ótimo livro de fantasia. Ambicioso, mas longe de desapontar, é uma leitura divertidíssima.

25 – Jesus, Mestre de Nazaré – Aleksandr Mien

Tenho (tinha) este livro. Está emprestado há anos, e não faço ideia de quem está com ele. Encontrei um exemplar na biblioteca de uma comunidade católica e não perdi a chance de reler. Narrativa arrebatadora sobre a maior história de todos os tempos.

26 – Jesus de Nazaré – Papa Bento XVI

Escrito com um propósito diferente do livro do padre russo, esta obra do Papa Bento XVI não é menos relevante para o crescimento espiritual de nós, católicos. A releitura mostrou-se essencial para compreender mais sobre a obra.

27 – Estrada de Emaús  – Dom Luciano Cabral Duarte

Livro de crônicas do bispo emérito sergipano, um homem brilhante. Destaque para uma crônica sobre o suicídio de Marilyn Monroe, que ainda transcreverei aqui no blog.

28 – Nova Antologia do Conto Russo – Organização de Bruno Barreto Gomide

Li apenas oito dos quarenta contos, mas foi um dos melhores presentes literários que ganhei este ano. Grande antologia, grandes contos. Recomendo.

29 – O Rei Mago – Lev Grossman

Depois de ter gostado demais de Os Magos, este livro me decepcionou bastante.

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30 – O Hobbit – J. R. R. Tolkien

Lido meio que “por acaso”, O Hobbit é o melhor dentre os poucos livros de aventura que já li.

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31 – Life of Pi (A Vida de Pi) – Yann Martel

Li quase correndo para ir ao cinema depois que tivesse lido o livro. Memorável relato que mistura razão e fé, uma inquebrantável vontade de viver e confiança em Deus.

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2 Respostas para “Minhas leituras em 2012

  1. Descobri sua página por acaso procurando um livro do Ian McEwan. Gostei muito dos seus comentários e de suas análises. Foi um ano bem corrido para mim o que afetou pesadamente a minha capacidade de leitura. Ainda assim, mantive uma coerência e consegui ler algumas obras.
    Estou estudando para concurso e não tenho muito tempo. Segui algumas indicações da escritora Martha Medeiros, uma gaúcha, que apesar das críticas dos leitores “mais intelectualizados” sempre acaba me surpreendendo.
    Não sou um crítico. Tenho os meus gostos. Sou meio chato para algumas coisas, mas nunca desisto sem conhecer. Acredito que a verdadeira premissa do leitor deve ser: conhecer antes de desistir.
    Gostei muito do seu site e gostaria muito da oportunidade de conseguir “conversar”, “trocar ideias” sobre algumas obras.
    Será que não podemos organizar um fórum de discussão escolhendo alguns livros que possamos ler juntos e debater, como um grupo de literatura?
    Deixo abaixo meu e-mail e msn e espero que tenhamos oportunidade de conversar.
    Atenciosamente,

    Alex Porto

    PS. Obrigado pelos peixes, ou seja, pelas indicações.

    asfp@bol.com.br
    alex_fporto@hotmail.com – MSN

    • Obrigado pelo comentário, Alex.

      Concordo em parte que não se deve ter preconceitos em relação à literatura. Eu, por exemplo, nunca li Paulo Coelho, nem Cinquenta Tons de Cinza, nem Crepúsculo, mas sei que jamais lerei nenhum deles.

      Parto da premissa de que há tanta coisa boa para ser lida, tanta, e tão pouco tempo, que devemos selecionar muito bem, de acordo, claro, com as inclinações pessoais de cada um.

      Eu, por exemplo, gosto muito de explorar autores brasileiros contemporâneos. Alguns me decepcionam, outros me surpreendem, outros, ainda, são apenas “ok”. Mas, como você falou, não desisto apenas porque esse autor não tem o rótulo de clássico ou de cult ou de algo parecido.

      Quanto ao fórum de discussão, não sei ao certo como se daria a operacionalização, porque no tocante à minha “lista de livros”, sou bem volúvel. Quando acabo de ler um livro, fico vasculhando a minha estante, em busca de um dos mais de sessenta livros que tenho e que ainda não li tentando escolher o próximo.

      Não tenho um padrão. Às vezes vem aquele impulso que me pede a leitura de Flaubert, por exemplo, ou de Dostoievski, ou ainda, de algum autor menos conhecido.

      Conciliar essa indecisão com um grupo de leitura, em que os gostos e, especialmente, a decisão sobre qual livro ler naquele momento precisam combinar, parece-me difícil.

      Mas se quiser levar adiante a proposta, estou à disposição para ouvi-lo.

      Volte sempre ao nosso blog e deixe sempre seus comentários.

      Até mais!

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