Resenha – Laços – Turma da Mônica – Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi

capa

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Numa iniciativa espetacular, Maurício de Souza lançou, com a aventura Magnetar, do Astronauta, o selo Graphic MSP. A proposta é apresentar visões alternativas sobre os clássicos personagens da turma da dentuça. Laços, aventura protagonizada pela própria Turma da Mônica é o segundo volume deste selo e é espetacular. Estonteante. Sensacional.

Sei que esta não é a melhor forma de se começar uma resenha sobre o que quer que seja. Primeiro você faz comentários gerais sobre a obra, depois lança sua visão pessoal para só então expor sua conclusão: bom, ruim, mais ou menos, ótimo etc.

A questão é que Laços, dos irmãos Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi, emociona da primeira à última página, seja pelo traço belíssimo (pelos traços, aliás, já que há o padrão do desenho “normal” e aqueles que evocam lembranças, ambos irretocáveis).

Sim, já deu para perceber que eu gosto demais da Turma da Mônica. Já gostava, mas desde que meu filho, há uns quatro anos, começou a se interessar (o que me levou a fazer a assinatura da coleção), passei a gostar ainda mais. Gosto especialmente da coleção Clássicos do Cinema, mas o que me conquistou  de vez foi o absolutamente perfeito MSP 50. Ver a turminha desenhada de tantas formas e ver tantas histórias diferentes (a última desta revista, com o Chico Bento encontrando o passarinho verde, é incrível) contadas por artistas tão talentosos me deixou com vontade de mais. Certamente não fui o único a pensar assim, tanto que a Graphic MSP está aí para saciar essa necessidade.

Laços foi escrita e dirigida pelos irmãos Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi, e toda a história é uma homenagem àqueles filmes de aventura dos anos 80, em que jovens amigos se metiam numa enrascada, ao mesmo tempo em que descobriam o valor da verdadeira amizade. Para mim, que vivi justamente esta época, é impossível não se emocionar e não se lembrar de um dos grandes símbolos desta geração, Conta Comigo:

A trama de Laços gira em torno do desaparecimento de Floquinho, o cachorro de Cebolinha. Mesmo esse desaparecimento tendo ocorrido logo depois de Mônica ter dado uma surra em Cebolinha e Cascão (por conta de mais um daqueles planos infalíveis para o Cebolinha se tornar o lei da lua), a dentuça se oferece de imediato, ao lado de Magali, para os quatro formarem uma equipe e partirem em busca de pistas que levem ao paradeiro do Floquinho.

Enquanto conta a história, os irmãos Cafaggi homenageiam diversos personagens com breves aparições, como Titi, Xaveco, seu pai e sua irmã, Xabéu (mais linda do que nunca), Denise, Maria Cascuda. O foco, entretanto, é a turminha. Nos extras, ao final da revista, há inclusive a observação de que eles se preocuparam tanto em ser “justos” que equilibraram até o número de quadros em que cada um aparece na história. Esse esmero, por sinal, salta aos olhos em cada quadro. Nada está lá por acaso, nenhuma palavra, nenhuma cor, nenhum objeto desenhado. Há uma espécie de prólogo e epílogo,que retratam a época em que a turma era bebê,  desenhados por Lu Cafaggi num estilo mais “artístico” (sei que este termo não reflete o que quero dizer, mas a figura abaixo vai deixar mais claro):

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O prólogo (acima) mostra o nascimento de Cebolinha e quando ele ganhou o Floquinho.

O epílogo (abaixo) – que não é exatamente um epílogo – mostra o começo da amizade da turma.

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Estas páginas mostram bem o nível do texto e a suavidade da história. Explicar o mau humor da Mônica, ainda quase uma bebê, como sendo fruto de dor de barriga e mostrar Magali oferecendo uma ameixa é ou não é uma sacada espetacular? Vejam quanta coisa eles contam em três quadrinhos. Três quadrinhos!

Mas não é só de momentos nostálgicos que sobrevive a história. Há muita aventura e muito humor, claro. Cascão com suas gracinhas, brincando com sua própria sombra, Magali comendo, comendo e comendo (pra variar), Cebolinha sempre pensando em seus planos infalíveis, a Mônica sempre irritadinha… Tudo vira motivo para rir, e o riso vem fácil. E se o assunto é aventura, a turminha tem que enfrentar uma revanche com meninos de outra rua, fazer uma peregrinação pela cidade em busca de pistas, enfrentar uma floresta que parece assombrada, além, é claro, do confronto final com o vilão da história.

Abaixo, algumas imagens da revista, apenas para dar um gostinho do que você encontrará quando comprar o seu exemplar:

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Os meninos se preparam para sair e cruzam a cidade até o seu destino.

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Esta página mostra como a ação é bem retratada (detalhe para a turminha com sapatos – todos eles!).

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Um daqueles clássicos momentos dos filmes de aventura dos anos 80 que retratam a passagem do tempo e o amadurecimento dos personagens. Neste momento há sempre uma balada de melodia inesquecível em destaque.

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Duas páginas que mostram bem como é belo o desenho e como cada quadro é escolhido para fazer um filme rodar na nossa cabeça.

Comprei Laços para meu filho. Ele leu em alguns minutos, devorando as páginas, como é típico das crianças. Para ele, foi uma história legal, em suas próprias palavras, e só isso. Mas Laços definitivamente não foi escrita para crianças. É preciso ter calma, saborear cada quadro, cada palavra, cada frase, referência, homenagem…

Laços é, desde já, uma das minhas histórias em quadrinhos favoritas de todos os tempos. Mal posso esperar pelo próximo volume de Graphic MSP.

Minha Avaliação:

5 estrelas em 5.

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3 Respostas para “Resenha – Laços – Turma da Mônica – Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi

  1. Não tive tempo para ler, justamente por que queria ler com muuuuuuita calma. No site OMELETE eles deram 5 estrelas também. Disseram que é mistura de PIXAR + Conta Comigo. Sei que irei gostar muito. Provavelmente, comprarei um exemplar pala mim 😀

  2. Eu não lia Turma da Mônica quando era criança, então o fator nostalgia não funciona comigo, mas pelas imagens que eu vi, pelo que eu conheço dos irmãos Cafaggi, e pela sua resenha, Laços tá na minha lista de leitura. Dei uma passada no lançamento aqui na minha cidade, mas tava tão lotado que eu não consegui nem entrar direito e daí sem autógrafo eu me desincentivei a comprar haha
    Ótima resenha, acho que você deveria escrever mais sobre quadrinhos (:

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