Resenha – Corrida Selvagem – J. G. Ballard

corrida

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Comprei este livro no sebo sem jamais ter ouvido falar dele. Conhecia somente o autor. De nome. J. G. Ballard. Autor de Crash, que não li, que virou o filme Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg, que não vi. Li na orelha deste mesmo livro que o livro que alçou este chinês de nascimento (era de família inglesa) à fama foi um relato inspirado na sua infância, que virou o muito querido filme O império do sol, de Spielberg.

Apesar de não ter lido nem visto Crash, sei que se trata de pessoas com uma perversão sexual bem inusitada: elas só encontram prazer fazendo sexo em cenas envolvendo acidentes de carros. Estranho? Bastante. Mas não é sobre Crash que vou falar, e sim sobre Corrida Selvagem. Quando vi o título do filme, imaginei imediatamente que seria um livro com temática parecida. Corridas, violência e sexo, talvez. Aí fui dar uma folheada e vi que o livro – curtíssimo, menos de cem páginas – conta a história de um massacre num condomínio de luxo num subúrbio de Londres. Trinta e dois adultos foram assassinados, sem que fossem encontradas pistas sobre os assassinos. O mais intrigante, contudo: os filhos destes trinta e dois adultos (algumas crianças, a maioria, adolescentes) desapareceram sem deixar vestígios.

Um consultor psiquiátrico da polícia é incumbido de tentar descobrir o que aconteceu, depois que as tentativas mais ortodoxas não trouxeram resultado. O narrador – este psiquiatra – reconstrói o cenário para o leitor. Fala dos hábitos de cada família, da preocupação de que aquele condomínio representasse a bem sucedida família moderna, a assepsia do ambiente, o isolamento, enfim, o mais perfeito tédio. Algo, naturalmente, ia muito mal ali, ou aquela tragédia não teria acontecido.

Falar sobre a trama é entregar algo precioso, que, apesar de tudo, é bastante previsível. Este não é um livro de mistério, de suspense, mas de reflexão sobre a violência e sobre os limites da loucura do ser humano quando confrontado com o vazio ou com a falsa perfeição, aquela que praticamente obriga-o a ser feliz.

Lançado em 1988, naquela época o livro corria o risco de ser excessivamente pessimista, talvez até insano. Hoje, infelizmente, estamos saturados do tema abordado no livro, o que, ao invés de tirar a sua força, torna-o profético.

Minha Avaliação:

4 estrelas em 5.

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2 Respostas para “Resenha – Corrida Selvagem – J. G. Ballard

  1. Tenho uma imensa curiosidade sobre as obras desse autor, desde “Crash”. Com tua resenha, fiquei empolgado em começar com essa obra. Vlw !

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