Resenha – A nova era digital – Eric Schmidt e Jared Cohen

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Por José Eduardo R. Nascimento

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Minha primeira participação na parceria da Editora Intrínseca, e foi a resenha que mais demorou a sair (explico isso mais tarde). Leonardo me perguntou se eu ou Reinaldo queríamos algum livro da lista da editora, e quando vi esse, gostei da premissa, e pedi o livro na hora.

Eric Schmidt e Jared Cohen têm como objetivo nesse livro descrever o papel que a tecnologia terá nas organizações humanas, principalmente nos Estados e na política externa. Dividido em sete capítulos, o livro discorre sobre como essa tecnologia digital irá mudar a vida dos cidadãos nas grandes potências, mas principalmente, trará um novo horizonte para os marginalizados nos países subdesenvolvidos.

Cada capítulo é voltado para uma parcela desse futuro: em um descreve como as pessoas serão beneficiadas individualmente. Em outro a bola passa para os Estados, como a tecnologia influenciará a soberania dos países democráticos, mas principalmente os regimes ditatoriais. E seguindo em cadeia, os assuntos passam para revolução, terrorismo, guerra e, consequentemente, a reconstrução após os conflitos.

Apesar de ser voltado para uma visão do futuro, próximo ou para daqui a algumas décadas, o livro é cercado de referências a fatos atuais, com mais de 30 páginas de notas que ficam organizadas no final do livro. Então, apesar de algumas coisas que foram citadas parecerem ficção científica, a forma como elas são mostradas – baseando-se firmemente em fatos reais – nos faz parar para pensar, e ver que todo esse futuro está realmente bem próximo.

O que mais gostei no livro são todas as possibilidades que ele nos dá para pensar. Como gosto muito de ficção, seja fantástica, clássica, futurística ou científica, esse livro é um prato cheio de possibilidades. Desde o longo capítulo voltado para o crime, falando sobre penitenciárias onde os bandidos têm total acesso a smartphones, descrevendo várias formas de como os bandidos conseguem essa tecnologia (conta-se que um cúmplice dos presidiários atirava peças de celulares para dentro da prisão com um arco. Essa artimanha só foi descoberta  por que o arqueiro acertou um guarda com a flecha acidentalmente), até novas formas pelas quais eles iriam se valer para tornar esse tipo de organização mais forte (utilizando-se por exemplo de um Drone – avião não tripulado – com tecnologia autossuficiente de wireless, que sobrevoasse os arredores da prisão, dando acesso a internet de boa qualidade para os criminosos).

Outro grande ponto ressaltado no livro é sobre a segurança na internet, e como será difícil manter a privacidade em um mundo cada vez mais conectado. A nossa localização é requerida por qualquer aplicativo instalado no celular, redes sociais, sistemas de GPS, no carro ou celular, nas fotos que tiramos etc. Discute-se no livro, inclusive, a possibilidade de alguns estados organizarem um registro virtual para todas as pessoas, onde cada perfil virtual seria vinculado não só à pessoa física, mas a outros perfis virtuais, de outras contas e sites que a pessoa possua, tudo na tentativa de controlar o mundo sem leis que é a internet.

Por fim, falando sobre o livro em si, temos aqui uma leitura simples, que apesar das centenas de referências, e nomes de personalidade históricas atuais, é de fácil entendimento. Mas a leitura é lenta, apesar de ser um livro curto (das 320 páginas, 50 são notas, índice e agradecimentos). Gostei bastante do livro, me deu várias ideias, e me fez pensar bastante sobre tecnologia futurística, e como ela pode estar realmente próxima. Porém, ele não dá aquela vontade de sentar e ler sem parar. Ele serve mais como uma leitura coadjuvante, para você ler algumas páginas enquanto descansa de alguma leitura mais livre. Nesse aspecto o livro me lembrou bastante a leitura de A história da Simetria na Matemática, que tem a mesma forma de organização, parecendo um artigo científico. Por isso essa resenha demorou a sair.

É uma ótima pedida para quem gosta de tecnologia, e tem interesse de se envolver no mundo da informática, ou para qualquer pessoa que seja curioso sobre o futuro. As ideias desse livro são reais o bastante para percebermos que dificilmente não ocorrerão. 

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2 Respostas para “Resenha – A nova era digital – Eric Schmidt e Jared Cohen

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