Resenha – Celular, 13 histórias à maneira antiga – Ingo Schulze

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Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Certo dia, Leonardo manda uma mensagem informando de uma promoção no site da editora Cosac Naify. Como o desconto era muito bom, resolvi procurar algum livro da lista. Não tenho muitos livros dessa editora, que apesar de tratar cada livro seu com grande esmero e zelo, geralmente publica livros que não dizem respeito à minha lista de leitura. Separei dois livros da grande lista de descontos, esse mesmo, sobre o qual estou escrevendo, e um livro fino sobre arte: O que faz de um Goya, um Goya? (resenha em breve).

O que me chamou a atenção nesse livro em particular foi: 1 – A bela capa (que nunca seja dito que capas não vendem livros); 2 – Ser este um livro de contos, o que torna a possibilidade de ele me agradar, maior, já que são 13 histórias diferentes; 3 – Um comentário que li sobre o autor que dizia: “Ingo Schulze arranca lirismo do cotidiano e extrai seu humor melancólico daquilo que aparentemente é mais banal. E o faz de forma tão brilhante, que hoje se diz na Alemanha que tudo vale a pena ser contado, desde que seja contado por Ingo Schulze”. Essa frase me pareceu um tanto presunçosa, mas para dar um ar de novidade à minha lista de leitura, resolvi comprá-lo, e hoje, terminada a leitura, posso dizer que o que disseram sobre Schulze é totalmente verdade.

Como o próprio título diz, o livro é composto por 13 contos, que sempre contam um pequeno trecho da vida de algum personagem (todos os contos têm personagens diferentes, mas eles sempre têm várias coisas em comum: geralmente são escritores, tem cabelos compridos e em vários deles a ação ocorre em viagens de leitura de sua obra pelo mundo. Todas características do próprio Schulze, que sempre dá características suas a suas personagens), com algum acontecimento que o marcou, de forma positiva ou negativa, ou simplesmente alguma história que o personagem acredita valer a pena ser dita. Nenhum dos contos fala algo extraordinário, geralmente são fatos banais, mas são contados de uma forma extraordinária.

Assim sendo, fica evidente que o mais interessante do livro não são as histórias, mas a forma como são contadas. Sobre a arte de escrever, Schulze se mostrou um mestre. Em nenhum momento, das 347 páginas do livro, me deparei com uma palavra desconhecida, não encontrei nenhuma metáfora mirabolante, nem um jogo de palavras brilhante. Não. Nenhum rebuscamento demasiado. A escrita de Schulze é simples, e de fácil entendimento. O que mais me chamou a atenção é que a maioria dos acontecimentos narrados pelo autor são extremamente chatos. Acontecimentos sem nenhum tipo de ação, nenhum belo discurso de algum personagem, nada que chame nossa atenção, que nos instigue a continuar a ler. Mas, inexplicavelmente, a leitura nunca fica chata, e eu não sei explicar por quê. A única vontade que dá é de continuar a ler.

Por esse motivo, Schulze entrou na minha lista de autores. Sempre que encontrar um livro dele, terei que comprar. Não sei se ele escreve romances, mas tenho muita curiosidade de ler algum escrito por ele. Não vou dizer que esse é um livro obrigatório para todos, por que seria mentira. Mas para quem sente especial atrativo pela arte de escrever, deve ler Ingo Schulze o quanto antes.

Minha Avaliação:

4 estrelas em 5 (não pela história, mas por quem está contando).

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3 Respostas para “Resenha – Celular, 13 histórias à maneira antiga – Ingo Schulze

  1. Apesar de não ler quase nada assim, gosto de livros que não contam nada extraordinário, fatos banais, livros bem lentos…(não sei se esse é bem lento), Mas graças a forma na qual é escrito, compense. Pretendo ler esse livro só por esse fato (rsrsrs).

  2. Capas vende livros que o “Precisamos Falar Sobre o Kevin” só tem a capa do filme no mercado e por mais que as pessoas queiram ler elas não compram porque querem a original hahaha.
    E achei bem legal sua resenha porque é de um livro que eu nunca li. Mas essas 13 historias são sobre o que cada uma? É sobre TUDO ou caminha para algo igual sempre?

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