Resenha – O Olho do Mundo – Livro 1 de A Roda do Tempo – Robert Jordan

olho

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

selo_blogparceiro_2013.1Meu gosto pela literatura fantástica é antigo, nasceu na infância, com gibis. Cresceu por influência do RPG, e se firmou quando, enfim, tive a oportunidade de ler O Senhor dos Anéis, que desde então assumiu a ponta na minha lista de livros prediletos. A partir daí li várias séries: A Herança, mais conhecida como “Eragon”, Harry Potter, As Crônicas de Gelo e Fogo, As crônicas do Matador do Rei (O nome do vento e o Temor do Sábio), O Aprendiz de caça feitiço, As Brumas de Ávalon, dentre outras. Mas sempre tive grande curiosidade acerca dessa série aclamadíssima, comparada muitas vezes à obra de Tolkien.

Então cá estou eu com o livro. O livro é um verdadeiro calhamaço, com suas 800 páginas bem diagramadas: perde-se pouquíssimo espaço em cada página, mas isso não deixou a leitura desconfortável. A capa preta, com o desenho em dourado, ficou muito bonita, o que aumentou ainda mais minha vontade de ler.

Sobre o livro: Ele conta a história de três jovens camponeses que vivem em uma região muito afastada do reino, de forma que o império é lembrado apenas nas histórias. Não se vê cobradores de impostos há anos, guardas ou soldados da rainha são quase que uma lenda. Nessa região, conhecida como Dois Rios, eles recebem a visita de criaturas terríveis, e acabam tendo que fugir com uma Aes Sedai (uma bruxa) e seu Guardião (um guerreiro super habilidoso), um menestrel, que insiste em acompanhá-los para contar a história (sim, ele tinha outras motivações…), a pretensa namorada de um dos jovens, que mostra ter uma rara habilidade para seguir o caminho da magia, e a curandeira e líder espiritual da vila. É formado o grupo.

A partir das primeiras páginas eu já comecei a ter as sensações de “já li isso antes”… e essa sensação permaneceu por um longo tempo. Uma vila afastada, onde um simples camponês é o escolhido de uma profecia (nesse caso, três), e sua vila acaba sendo atacada. Isso é Eragon. Toda a história da Roda do Tempo, o Olho do mundo, me lembrou bastante A torre Negra, de Stephen King, a descrição das cidades, e as viagens, lembra bastante O Nome do Vento. Enfim, foram inúmeras as vezes que me peguei lendo o Olho do Mundo, e lembrando de outros livros. Claro que isso por si só não é nada demais. Muito provavelmente os autores dos livros que citei leram Robert Jordan, e usaram-no como fonte de inspiração. O que me incomodou foi que muitas vezes a obra “derivada” era melhor que a que a inspirou, e isso é ruim. O Senhor dos Anéis, por exemplo, é fonte de inspiração pra praticamente qualquer livro de fantasia escrito desde sua publicação, mas nenhum deles nunca superou a obra de Tolkien.  Mas por que isso acontece?

Em primeiro lugar, a escrita de Robert Jordan é muito simples. Ele criou um bom plano de fundo pra história, com a Roda do Tempo, o Padrão, que liga todos em sua teia (temas muito citados, mas pouco explorados nesse primeiro livro), descreve as coisas detalhadamente, mas sem excessos, o que mostra que o principal para ele é a história em si, e não o mundo, como era para Tolkien. Dessa forma, Jordan não nos conquista pela forma, diferente de Tolkien, professor e linguista brilhante, que descreve as coisas de maneira sublime. Em segundo lugar, um detalhe que parece simples, mas que é de importância primária em um livro de ficção fantástica são os nomes, seja de lugares ou pessoas. Os nomes nos dizem pouco em O Olho do Mundo. Exemplo: Os monstros equivalentes a Orcs são chamados Trollocs. Mas esse nome não convence. São montros estúpidos. Seu nome deveria lembrar um grunhido, ou um palavrão.  Outro ponto negativo é a falta de novidades que permeia as 600 primeiras páginas do livro. Explicando: tudo que se lê em O Senhor dos Anéis é novo; em cada parágrafo, você se sente perambulando pela Terra Média, seguindo as aventuras de Frodo e companhia. Em as Crônicas de Gelo e Fogo, cada capítulo é carregado de suspense, humor negro, conspirações, de forma que ficamos apreensivos a cada passada de pagina. Isso não acontece em a Roda do Tempo. Simplesmente vamos passando a página, e imaginando o que acontecerá em seguida, e nunca somos surpreendidos. Nada de impressionante acontece. Não há lugares maravilhosos, personagens carismáticos (mas não significa personagens ruins) ou uma história excitante. As coisas simplesmente vão acontecendo. Isso acabou atrasando minha leitura; eu simplesmente não tinha mais vontade de voltar ao livro para ler a mesma coisa de novo e de novo. Felizmente, isso mudou nas últimas 200 páginas.

Nessa parte, a história tem seu clímax. Encontramos alguns lugares maravilhosos, alguns personagens se tornam carismáticos, e a história se torna excitante. Essa parte final acabou renovando minha fé na série, e estou esperando desde já o segundo volume, que provavelmente explorará mais o Padrão e a Roda do Tempo.

Como todos devem ter notado, fiz muitas comparações entre O Olho do Mundo e Senhor dos Anéis. Isso se deve à frase transcrita na capa do livro: “Com A Roda do Tempo Jordan chega para conquistar o mundo que Tolkien começou a difundir.” Achei essa frase de uma fanfarronice extrema… e as comparações acabaram surgindo naturalmente. Não há como comparar esse livro a nada que Tolkien escreveu, mas espero realmente que os próximos livros me surpreendam, e eu acabe sendo cativado pela série.

Minha Avaliação:

3 estrelas em 5

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19 Respostas para “Resenha – O Olho do Mundo – Livro 1 de A Roda do Tempo – Robert Jordan

  1. Olá, amigão!

    Legal ler essa resenha; tenho uma imensa curiosidade quanto à série.

    Vc citou Eragon… Vc gostou ? Ainda não li, mas dizem que o livro vale muito mais pena que o livro. Outra pergunta , já Black Company ( no Brasil saiu como A Companhia Negra ). Tbm é fantasia e é tão aclamado quanto esse do Jordan. To lendo e gostando !

    Abração !

  2. Opa, Gustavo.
    Que bom que gostou da resenha. Sobre Eragon, eu gostei bastante. Só achei que no último livro ele quis descrever demais, e acabou ficando um pouco previsível. Também tive uma sensação como sePaolini tivesse ficado um tanto receoso em terminar a série. Mas é uma boa série.

    Sobre Black Company, não conheço a série. Vou anotar em minha lista! Vlw!

    Abraço!

  3. Pingback: Sorteio – O Olho do Mundo – Robert Jordan | Catálise Crítica

  4. Que pena que se decepcionou. O livro me pareceu tb promissor pelo plot, e a capa dá ainda mais curiosidade ao leitor. mas ainda sim o leria, mesmo porque nunca li O Senhor dos Anéis então não teria a sensação de já ter lido isso ou aquilo antes.
    Parabéns pela resenha. Está ótima ^^
    sete-viidas.blogspot.com

    • Bem, Cláuber, que bom que você gosta da série. É uma das graças da literatura, uma variedade de livros, para uma variedade de gostos e preferências. Eu particularmente não gostei, mas lerei o segundo livro com a esperança de mudar de opinião.

      Abraço.

      • Não criticando sua resenha, mas acho que por conta de uma frase na capa( que na verdade só apareceu na capa do 8º livro nos EUA) você perdeu uma boa chance de mergulhar no livro, gosto da maioria dos livros citados por você em comparação a Wheel of Time( só acho +/- ACdGeF), mas acho que você deveria ler mais uma vez e tentar não fazer tantas comparações em um livro que foi lançado a mais de 20 anos com os que estão sendo lançados por agora.

        Eu li a série toda, em inglês. Garanto que no exterior a base de fãs é imensa, basta pesquisar. Como dizem por aí, contra fatos não há argumentos: oito livros da série foram número 1 de vendas pelo NY Times.

        A todos os que dizem que temos mais um caronista do GRR Martin: Robert Jordan era amigo do Martin. Quando Martin lançou o primeiro livro de A Song of Ice and Fire, ele pediu ao Robert Jordan se ele poderia fazer uma frase de marketing de capa no livro, já que nessa época Jordan já fazia bastante sucesso com sua série…
        É muito legal tecer julgamentos sem saber de nada.
        Vejam, inclusive, uma carta do Jordan falando sobre isso: http://thewertzone.blogspot.com.br/2013/07/robert-jordan-bigging-up-game-of.html

        Não por acaso, homenageando seu finado amigo, Martin criou a casa JORDAYNE, de TOR, Cujo fundador é Trebor. Tor é a editora de Jordan (Jordayne?) nos EUA; Trebor é Robert ao contrário. O GRRM deve muito do seu sucesso ao apoio de Jordan quando ele iniciou sua ambiciosa saga (e ainda não terminou).

        Não a toa, um dos maiores eventos de fãs de uma obra literária que ocorre nos EUA chama-se JORDANCon. Coincidência?

        Sim, há clichês. Quem não os usa? Quantas pessoas, antes de Shakespeare, não escreveram sobre um casal que se apaixona mas suas famílias são rivais? E depois dele? (Avatar, Pocahontas, Homero…) Mas usar o lugar comum e chegar a sua própria solução inovadora, isso sim é genialidade. Robert Jordan presta uma homenagem aos maiores escritores da história (Frank Herbert, Tolkien, Boron, Troyes, Malory, etc.), dando roupagens novas a coisas que já foram utilizadas. Aliás, é justamente isso que protege o direito de autor: não a ideia em si, mas a materialização das ideias, a expressão do gênio criativo humano materializado.

    • “Resenha fraca”

      Sim, e? Não acha que é muita preguiça intelectual simplesmente resumir todo um texto com uma afirmação dessa não, jovem Cláuber? Eu gostei do texto. Apresenta aquilo que, provavelmente, encontraremos na obra. Impossível não associar a livro X e Y, fato. Ele apresentou pontos (não trechos) a respeito da obra e argumentou. E agora, espero, aponte os motivos para a sua frase.

    • Opa grismak, valeu pelo comentário.
      Eu ainda hoje sou perseguido pelo pensamento de não ter gostado tanto de o olho do mundo. A vontade de lê-lo já era antiga. Acho que não gostei muito por que já vinha de uma sequência de livros de fantasia, e isso pode ter atrapalhado minha apreciação. Mas ainda não desisti da série, assim que o segundo livro for anunciado, vou reler esse livro, e tenho muita esperança de que eu acabe virando fã da série após a segunda leitura.
      Abraço

      • O segundo livro realmente apresenta alguns fatos que ditam o rumo da história, o primeiro e meio q uma loooonga apresentação, do segundo livro em diante há uma dinâmica uma certa empolgação maior do altor com os eventos do livro, mesmo q ele peque no quesito descrição e detalhamento do universo de whell of time(notasse pela falta de mapas no livro), ele ganha te prendendo nas lenda q pipocam aqui e ali, nas batalhas e sim nas brincadeiras de tronos q ocorre no decorrer da serie.

        Resumindo, de sim mais uma chance para o livro, não precisa ser agora afinal vão ser 7 longos anos de lançamentos espere juntar mais uns dois ou três volumes e leia de uma vez, assim q eu fiz com a versão americana e faço com a maioria dos livros^^

  5. Ainda não cheguei na metade do livro, mas agora estou curtindo. Concordo que houve um exagero na frase do New York Times que consta na capa da tradução brasileira. Comparar essa saga com SdA ou ACdGeF é simplificador e injusto. São todos livros de literatura fantástica, cada qual com seus méritos e defeitos. Robert Jordan tem méritos ao inserir personagens femininas. Virei fã das Aes Sedai, não sei qual vai ser o destino das personagens principais (esp. Moiraine) e se vão surgir outras personagens ao longo da série, Tolkien criou um universo exclusivamente masculino, Marion Zimmer Bradley (que ainda não li) criou um universo feminino, George R. R. Martin conferiu força às personagens femininas de sua saga, mas a série de TV transmite -com o aval do autor- sexo e violência gratuitos, além de cortes radicais obrigatórios da história devido ao tempo e ao custo. Não sei até em que grau a série prejudica o trabalho do autor. Na minha opinião, o livro de Jordan, pelo que pude notar até agora, tem sim pitadas de saga islandesa, mitos arturianos, trechos que recordam o lado bom da série A Torre Negra, do Stephen King, mas a originalidade, ainda que simples do autor prevalece. Gostaria que a editora que publica a série aqui fosse menos espetaculosa, mas pedir isso hoje em dia é quase impossível.

    Abraço

    • Que bom ter um comentário seu novamente, Ricardo. Fazia tempo! Bem vindo de volta ao blog!

      Não li o livro e, naturalmente, não escrevi a resenha, mas queria comentar especialmente pelo retorno de um antigo frequentador da casa. 😀

      Sou fã da série ACdGeF e acho que apesar da versão HBO ser muito boa, os livros são bem superiores. Por conta da extensão, muita coisa é cortada, como você mesmo diz, e torna-se impossível para o espectador emular o que o leitor sente. Um simples exemplo? O treinamento de Arya Stark com Syrio Forel foi retratado de maneira superficialíssima na TV. Nos livros, é impossível você não se afeiçoar a Syrio e especialmente a Arya. As perseguições aos gatos, os testes de furtividade… Siwft as a deer, quiet as a shadow, fear cuts deeper than swords, quick as a snake, calm as still water…

      Tenho curiosidade de ler algum dia a série de Robert Jordan, mas incomoda-me o fato de ela ser aberta (ou muito, muito ampla, já que conta com mais de uma dezena de livros e foi continuada por outros depois da morte do autor).

      • Olá Leonardo, só espero que George R. R. Martin não use o mesmo argumento de Robert Jordan e amplie (mais ainda) as suas AcdGeF. Jordan fez quase a mesma coisa, infelizmente faleceu em 2007. Mas Brandon Sanderson conseguiu concluir a saga. Não conheço o trabalho desse autor, mas tenho lido muitas críticas favoráveis sobre seus romances. O primeiro volume de Mistborn será lançado em breve aqui no Brasil.

  6. Estou lendo a série. Fiquei sabendo semana passada do lançamento, comprei e devorei o livro em uma semana, agora aguardo o segundo volume. De tudo que li de fantasia, está só não é melhor que a Crônica do Matador do Rei, mas a acho melhor que a do Martin e demais. De fato a história é arrastada até metade do livro, e os 3 personagens “protagonistas” são tão do interior, isso o Jordan retratou bem até demais, que chega a irritar em vários momentos, sorte ter o Guardião e a Aes Sedai para equilibrar o andamento. Não comparo a Tolkien, ele está em outro patamar, a obra dele não é só uma obra literária, é uma obra de arte por inteiro. Falando do Martin, sinceramente não acho o Martin um grande gênico criativo, a história dele é uma colcha de retalhos que passa por fatos históricos e inspirações catadas em outras séries fantasia e de contos de cavalaria. Até os personagens principais de cada casa ele simplesmente se inspira em personagens históricos. A história é boa ? Sim é, mas não é tanto quanto as pessoas querem fazer que ela pareça. O maior mérito dele é colocar o ser humano como ele é, ( coisa que o Stephen King faz há anos ) as batalhas e o erotismo. Este ultimo mais detalhado que batalhas em seus livros, convenhamos. Não sou contra a obra de Martin, não é ruim, mas também não é o supra sumo da Ficção de Fantasia Épica Medieval como alguns pensam.

    • Opa Glauber,

      A cada dia me sinto mais culpado de não ter gostado tanto de O olho do mundo… rsrs. Acho que eu comecei a ler esperando demais do livro, e isso SEMPRE atrapalha uma leitura. Mas ele está lá em minha estante, e um dia voltarei a ele.

      • Eu entendo. Custei ler as primeiras 300 paginas por causa do ritmo. Alguns capítulos são bem arrastados, poucos diálogos, quando há diálogos são somente um monte de teimosia dos personagens de Elmond, mas dá pra perceber que forma propositais. Os capitulos se desenvolvem como uma aventura de Advanced Dungeons & Dragons. Aliás, o livro todo parece uma imensa crônica de AD&D com tudo que se tem direito. A cada capítulo tem um “encontro”, seja ele com algum antagonista, um peronsagem mundano ou um personagem que tem sua existência no mundo vista como peculiar ou meio anormal, mas que de alguma forma vai acrescentar algo ou a trama ou à experiência dos personagens. Concordo quando dizem que este livro é uma imensa apresentação, de fato é, ainda mais se pensarmos que ainda existe outros 13. Acredito que esta, é uma obra que deve ser lida com paciência, pois foi iniciada a muitos anos. Já no fim do primeiro livro já dá pra perceber que o ritmo dos seguintes será melhor.

  7. Wheel of time é mais antigo que GOT, e não precisa ser mestre em literatura para saber que GOT tem muita enrolação, eu adoro, mas tem MUITA ENROLAÇÃO.
    Essa resenha é apenas o primeiro livro, e acontece muita coisa e são mostrados diversas cidades; o primeiro livro de GOT por exemplo teve a morte do Ned e talvez o Prólogo como CAP mais interessante do livro.

    WoT tem muitas coisas que surpreendem, e um livro bem direto, não tem muito lengalenga e Jordan não se perdeu na história. Não tinha muita coisa em que se basear para escrever um livro naquela época, e os Livros de WoT venceram muitos prêmios de literatura mundo a fora, espero que gostes da continuação.

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