Resenha – Minha Breve História – Stephen Hawking

capa

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

selo_blogparceiro_2013.1Sem dúvida, Stephen Hawking é o cientista vivo mais famoso do mundo. Para os leigos no ramo da ciência, como eu, ele é mais conhecido pelos seus Best-sellers (O universo numa casca de noz e Uma breve história do tempo, por exemplo) e pelas constantes referências que filmes e séries fazem a ele (The Big Bang Theory e Os Simpsons, apenas para citar dois casos). É óbvio, contudo, que seu prestígio no mundo acadêmico não se deve ao fato de ele fazer parte da cultura pop. Sua contribuição para a compreensão do universo, como ele mesmo diz, é bastante relevante. Mas não são elas que justificam, por si só, sua fama. “Para os meus colegas de trabalho, sou apenas mais um físico, mas para o público em geral, me tornei possivelmente o cientista mais famoso do mundo”, diz ele nesta sua breve autobiografia. Boa parte disso se deve a seu “estereótipo de gênio deficiente”, nas suas próprias palavras. Stephen Hawking é um Professor Xavier levado ao limite, um homem que escreve livros vendidos no mundo todo e artigos que revolucionam a ciência ao ritmo de até três palavras por minuto, por meio de uma parafernália que reconhece o movimento dos seus olhos. Ele não fala, ele mal se move na sua cadeira supermoderna.

Neste pequeno livro (pequeno mesmo, com 140 páginas), recém-lançado no Brasil pela Editora Intrínseca, Stephen Hawking conta um pouco da sua história. Recebi-o hoje por volta das 09:20h da manhã e às 10:40h já havia terminado a leitura.

Apesar de o próprio Hawking defender uma teoria que inclui o chamado “tempo imaginário”, que não é linear (o que quer que isso signifique), em seu livro ele se prende bem ao tempo real: começa falando brevemente (tudo no livro é isso: breve) sobre seus pais, sua infância, seus anos no colégio, na faculdade e na pós-graduação, casamento, filhos, passando por capítulos onde aborda grandes temas por ele estudados e para os quais deu sua contribuição significativa, tais como buracos negros, o Big Bang, tempo imaginário e até um curioso (e intrincado) capítulo no qual ele avalia a possibilidade científica de se viajar no tempo.

A escrita de Hawking é econômica, durante a leitura não tem como não imaginá-lo mexendo os olhos e escolhendo cada palavra, a conta-gotas, no longo processo que foi chegar a estas 140 páginas. Sobre sua infância, você fica sabendo que ele vem de uma família de “intelectuais”: tanto seu pai como sua mãe estudaram em Oxford. Seu pai era um médico pesquisador importante e que ganhou muitas bolsas e prêmios. A ideia de estudar, de seguir uma vida acadêmica era completamente natural no seio familiar de Hawking. Há espaço para declarações um tanto surpreendentes, como esta:

“Sempre fui um aluno mediano. (Era uma turma muito brilhante.) Meus trabalhos escolares não tinham capricho e minha caligrafia era o desespero dos professores. Mas meus colegas me apelidaram de Einstein, de modo que é de se presumir que viram sinais de algo melhor em mim.”

 Seu pai queria que ele estudasse medicina, mas Hawking nunca se interessou por Biologia. Gostava mesmo era de matemática, o que seu pai desaprovava, já que a única opção para quem estuda tal disciplina é ser professor.

“Física sempre foi a matéria mais chata da escola, porque era muito fácil e óbvia. Química era muito mais divertida, porque aconteciam coisas inesperadas – como explosões. Mas a física e a astronomia ofereciam a esperança de compreendermos de onde viemos e por que estamos aqui. Eu queria sondar as profundezas do universo. Talvez tenha tido algum sucesso, mas ainda há muito o que quero saber.”

Quando pensamos na figura de Hawking, o primeiro impulso pode ser o de piedade, por conta de sua figura frágil e limitada. Ele diz em determinado ponto que muito das suas descobertas provavelmente não ocorreram APESAR da sua doença (Esclerose Lateral Amiotrófica), mas POR CAUSA dela, já que por não poder interagir mais, ele pôde dedicar muito tempo à pesquisa.

Quando fala do início de sua vida acadêmica, na faculdade em Oxford, ele lamenta não ter então uma mentalidade mais voltada para os estudos.

“O comportamento que prevalecia em Oxford naquela época era extremamente antitrabalho. Você deveria ser brilhante sem esforço ou aceitar suas limitações e obter um diploma de quarta classe. Estudar muito para conseguir uma nota mais alta era considerado a marca de um “homem cinza”, o pior epíteto no vocabulário de Oxford.”

Aos vinte e um anos ele começou a sofrer com os sintomas de sua doença, e, a princípio, julgava que morreria logo. Mas isso não aconteceu, todos sabemos. Hawking casou, teve três filhos, separou-se, casou-se com uma enfermeira sua, separou-se novamente. Em 1982, já um cientista bastante respeitado, teve pela primeira vez a ideia de escrever um livro popular sobre o universo. Duas eram as suas intenções básicas: ganhar dinheiro para pagar as mensalidades escolares de sua filha e explicar até que ponto já havíamos avançado na compreensão sobre o universo.

O livro, como falei no princípio, dá algumas brevíssimas pinceladas nas contribuições de Hawking a respeito da compreensão do universo. Pra mim, são trechos complicados, e houve muita coisa que não entendi. A existência ou não do Big Bang, por exemplo, foi assunto abordado na sua tese, intitulada “Propriredades dos Universos em Expansão”. Na sua tentativa de esclarecer suas ideias, ele fala sobre estrelas moribundas que se contraem até um determinado ponto, quando apresenta uma singularidade, um ponto onde o espaço e o tempo chegariam ao fim. Fala então de singularidades de densidade infinita, de singuaridades onde o espaço-tempo tinham um princípio, de superfícies de Cauchy (superfície que faz a interseção da trajetória de cada partícula uma vez e apenas uma vez), enfim, de assuntos bastante, bastante complexos. O mesmo ocorre no capítulo dedicado aos buracos negros, e aqui vale uma pequena observação: Hawking e seus colegas cientistas costumavam fazer interessantes e bem-humoradas apostas sobre suas teorias, com prêmios que envolviam desde camisetas personalizadas, a enciclopédias sobre beisebol, chegando a assinaturas de quatro anos da Penthouse!

 nature

Hawking fala como se o assunto que ele debatesse fosse corriqueiro, de domínio do homem comum. Mas para vocês verem que não estou brincando, vejam a fórmula (simples, segundo ele) que ele apresenta para se calcular a área do horizonte com a entropia de um buraco negro:

 formula

S é entropia, A é área do horizonte, c é a velocidade da luz, G, a constante gravitacional de Newton e o h cortado é a constante de Planck.

No penúltimo capítulo,Hawking avalia a possibilidade de se realizar viagens no tempo. Defende que mesmo que acreditemos não ser possível viajar no tempo, deveríamos estudar o assunto a sério para responder POR QUE não é possível. Quer saber se ele acha possível? Bem, leia o livro.

Li Minha Breve História muito rapidamente e gostei demais. Mais do que conhecer um pouco mais sobre a vida de alguém que tem se dedicado a ajudar as pessoas a compreender melhor o universo, fica a lição de alguém que poderia ter desistido de tudo por conta das suas limitações, mas não o fez. Lutou e luta bravamente até hoje pela causa que ele acredita justa, neste caso, a ciência.

“Tive e tenho uma vida completa e prazerosa. Acredito que pessoas com deficiência devem se concentrar nas coisas que a desvantagem não as impede de fazer, e não lamentar as que são incapazes de realizar.”

Acredito que nesta frase podemos retirar o “com deficiência” e ampliar seu sentido. Todos nós deveríamos nos concentrar naquilo que nossa desvantagem não nos impede de fazer, e não lamentar o que somos incapazes de realizar.

Um viva a Stephen Hawking!

Minha Avaliação:

4 estrelas em 5.

Anúncios

Uma resposta para “Resenha – Minha Breve História – Stephen Hawking

  1. Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado…me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura e digite reverso…a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s