Resenha – A Ilha do Dr.Moreau – H. G. Wells

alfaguara

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

De H. G. Wells eu já havia lido O Homem Invisível, resenhado aqui. Se naquele clássico da ficção científica eu havia comentado que a principal preocupação do autor era contar uma boa história, sem grandes reflexões filosóficas ou morais, o mesmo não pode ser dito de A Ilha do Dr. Moreau. Aqui, apesar de haver um enredo bem definido e uma história muito tensa e bem contada, o autor nos provoca em vários aspectos: até onde podemos ir nas nossas ambições científicas? O que é lícito e o que não é lícito? O que é um ser humano? Quem é evoluído e quem não é?

O livro conta a história de um náufrago, Charles Prendick, que é resgatado por um navio que leva animais a uma pequena ilha do Pacífico. Ele nota que há algo estranho ainda no navio, na aparência e no comportamento de alguns dos ajudantes do Dr. Montgomery. Seu desejo é nem parar na ilha, mas acaba não tendo escolha, por conta da sua fragilidade, e vê-se forçado a passar uma longa temporada ao lado do Dr. Moreau e das suas criaturas.

Sim, creio que a essa altura esta informação não é spoiler. O Dr. Moreau faz experiências genéticas misturando animais, criando novas raças, “melhorando” a criação.

Isto não é revelado logo de cara, e não se preocupe: se você não sabia disso, sua experiência com o livro não será prejudicada. Mais do que as experiências, o foco do livro é o que acontece a partir do momento em que Prendick chega na ilha:

“- Estou contente por ter dado tudo certo – disse – Aquele capitão é um estúpido. Estava disposto a sacrificá-lo.

– E você me salvou, mais uma vez.

– Isto depende. Você vai achar esta ilha um lugar infernal, posso lhe garantir. Se eu estivesse no seu lugar, andaria por aqui com o máximo cuidado. Ele… – Nesse instante ele hesitou e pareceu mudar de ideia quanto ao que estava a ponto de falar. – Bem, será que pode me ajudar a levar esses coelhos?”

Pendrick é curioso e começa a vasculhar a ilha. Não demora e começa a interagir com seus habitantes. As consequências dos seus atos são sensíveis, e abalam o equilíbrio tênue daquele pequeno mundo. O livro avança rápido, violento, urgente, e podemos prever que o desfecho não será auspicioso.

Não vou adiantar mais nada sobre o enredo. Deixo para você, leitor, descobrir e se deliciar com mais um grande livro de H. G. Wells, um livro escrito há mais de cem anos e que, no entanto, permanece vivo e empolgante.

Visionário parece ser uma palavra muito apropriada para H. G. Wells. Se pegarmos seus quatro maiores clássicos – O Homem Invisível, A Máquina do Tempo, A Ilha do Dr. Moreau e Guerra dos Mundos – e pensarmos que eles foram escritos num período de quatro anos, ainda no final do século XIX, podemos perceber como ele estava à frente do seu tempo. A influência dessas obras está presente em todo lugar, e com A Ilha do Dr. Moreau não é diferente. Um prato cheio para quem gosta de ficção científica.

Minha Avaliação:

4 estrelas em 5. 

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