Resenha – Vermelho Amargo – Bartolomeu Campos de Queirós

Capa-Vermelho-Amargo

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Aproveitando o feriadão de carnaval, tentarei colocar em dia minhas resenhas aqui no blog. Este é o primeiro de cinco textos que programei para hoje. Li Vermelho Amargo no dia 22/12/2013, e fui deixando a resenha pra depois, pra depois, depois, e os livros foram se acumulando neste período.

Quando meu irmão comprou este livro da Cosac Naify (sim, entre nós três, a Cosac Naify é como se fosse uma grife. “Comprei um Cosac Naify hoje!” ou “Vou comprar esse livro, mesmo sem conhecer o autor, pois é um Cosac Naify” são frases comuns entre nós. Aliás – estendendo um pouco este parêntese – acredito que, em breve, se a Cosac Naify continuar a lançar promoções de 50%, nós três juntos teremos todo o catálogo de ficção da editora. O que não seria nada mau.), fiquei encantado, para variar, com o projeto gráfico do livro. Ele fez parte de uma experiência que fizemos de comprar livros diferentes do que andávamos lendo. Como este meu irmão praticamente só lê russos (e quase que exclusivamente Dostoievski e Tolstoi), achou por bem comprar este livro de um autor de nome sonoro e até então desconhecido.

Vermelho Amargo é um livro de cunho autobiográfico. Narra as difíceis memórias afetivas de um menino que tem que aprender a lidar com a sua madrasta enquanto ainda sofre com a morte da mãe.

Não há exatamente uma história, mas uma sucessão de lembranças, disparadas por alguns gatilhos, o mais comum deles o modo como a madrasta cortava cuidadosamente o tomate. Trata-se, portanto, de um livro bastante sensível, carregado de simbolismo.

O livro é repleto de aforismos e são muitas as frases que nos colocam para pensar:

“Exige-se longo tempo e paciência para enterrar uma ausência. Aquele que se foi ocupa todos os vazios. Como água, também a ausência não permite o vácuo. Ela se instala mesmo entre as pausas das palavras. Na morte, a ausência ganha mais presença. É substantivo e concreto tudo aquilo que permanece. Daí, os mortos passarem entre nós. Jamais imaginei seu espírito transfigurado em fruto.”

Além da melancolia própria das lembranças do menino, chamou a minha atenção as suas constantes referências aos livros:

“Mas uma coisa me vigiava: ler era o meu único sonho viável.”

Não foi um livro que me fisgou. Gosto de símbolos, mas gosto de histórias, e este livro é quase um poema. Uma obra ainda mais abstrata e simbólica que Lavoura Arcaica (resenhado aqui)e um pouco menos que Os Verbos Auxiliares do Coração, que espero resenhar ainda hoje.

“A vizinha, do lado direito da rua, sabia ler e escrever. Estudou em escola não reconhecida pelas abelhas. Autorizava-se a distribuir dissimuladas verdades para além das frestas das janelas. Não suportava uma contestação. Tudo lhe servia para o consumo externo. Citava normas, em língua afiada, zombando da razão dos outros. Percebia-se que suas palavras eram desencarnadas e não filtradas pelo consumo interno. Também, sem raízes, as palavras nasciam e morriam em sua boca. Minha mãe afirmava que muitos passam pela escola, mas a escola não passa por eles.”

Minha Avaliação:

3 estrelas em 5.

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Uma resposta para “Resenha – Vermelho Amargo – Bartolomeu Campos de Queirós

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