Resenha – O Caçador de Apóstolos – Leonel Caldela

caçador de apóstolos

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Conheci o trabalho de Leonel Caldela através do RPG. Ele é autor e tradutor de algumas linhas publicadas pela Jambô Editora, e já tinha lido um ou outro conto dele publicado na Dragon Slayer, revista publicada pela editora. Sempre tive curiosidade sobre seus três primeiros livros, A Trilogia Tormenta, mas o que me afastava era o cenário que ele utilizou, uma fantasia medieval influenciada por animes. Gosto de Animes e Mangás, mas algumas coisas dessa linha para mim são “exagerados” demais, então preferi não ler os romances. A oportunidade chegou quando ele lançou O Caçador de Apóstolos e sua continuação, Deus Máquina, um romance independente, baseado numa fantasia mais sombria e realista. Aproveitei uma promoção no site da editora, comprei, e mais de um ano depois, chegou a vez de ler O Caçador de Apóstolos.

Eu não sabia nada sobre o livro (e existe forma melhor de começar uma leitura?), exceto o que mencionei acima (fantasia sombria e realista). Imaginava algo na linha de Dragon Age, o jogo de computador, que se baseia nessa premissa. Um jogo onde a população é desonesta, todos desejam lucrar em cima dos outros, governos corruptos, etc. O livro segue mais ou menos nessa linha. Não há magia da forma a que estamos acostumados (na verdade não é demonstrado no livro nenhum tipo de magia convencional, apenas alguns dons sobrenaturais, como previsão de futuro, geralmente vinculados ao uso de ervas e outros agentes alucinógenos). Aqui, no entanto, a principal diferença está em quem tem o poder: a Igreja.

A Igreja em O caçador de Apóstolos é tirana. Há lavagem cerebral intensa, a população, inclusive a nobreza (bando de marionetes), não tem acesso à informação, são treinados para temer e respeitar a Instituição desde o berço. A organização da Igreja/religião se baseia em um Deus único, Urag, que mantem contato direto com os fiéis através de uma mulher, chamada Voz de Urag. Essa mulher é controlada por um conselho de 4 Cardeais, que são os verdadeiros donos do poder. Para um livro em que toda a trama se baseia na religião, foi gasto pouco tempo falando sobre ela. O autor baseou sua religião na igreja católica, e se aproveita do pré conhecimento que o leitor tem de religião. É eficiente, mas acaba tornando tudo muito tendencioso, conforme as crenças pessoais de cada um que lê.

Os personagens principais são bem desenvolvidos, mas sem excesso. Leonel tem uma boa capacidade descritiva, e seus personagens, apesar de estereotipados (podemos descrever todos eles com poucas palavras), tem seu carisma, e acabamos nos apegando a eles (ou a alguns deles).

 O livro é dividido em três partes. Na primeira, “O diabo está morto”, somos apresentados a Iago, um roteirista de peças de teatro e também narrador da história, e Atreu, o anti-herói do livro, personagem principal e mais carismático. Nessa primeira parte também conhecemos das duas Profecias que regem o roteiro do livro. A segunda parte, “Retrato de um guerreiro quando jovem” (não gostei da referência), conhecemos mais sobre o passado de Atreu, e sobre a Igreja, e a terceira e última parte, “Deus no corpo de Jocasta”, o desenrolar final da história, com várias batalhas entre o exército da Igreja e os rebeldes.

 O autor vai andando com a história, e mostra que nada é o que aparenta ser. O que há por trás da fé e até da própria profecia, o passado dos “heróis” e dos cardeais. E é exatamente nesse ponto que está o maior defeito do livro. A maneira como Leonel nos conta a história é muito linear, e, pra uma história baseada em intrigas e mentiras, passar 400 páginas sem nenhuma surpresa, é um problema.

 No fim das contas é sim um ótimo livro de fantasia. Tem boas adições originais, e Leonel é um bom escritor, com um vocabulário amplo, variedade de descrições, e não se perde na história. Se tivesse sido publicado nos Estados Unidos seria um bestseller com certeza.

 3 Estrelas em 5.

2 Respostas para “Resenha – O Caçador de Apóstolos – Leonel Caldela

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