Resenha – O Espadachim de Carvão – Affonso Solano

Por Eduardo

Sempre tive predileção pela literatura fantástica. Em parte por ter iniciado no RPG desde cedo: as aventuras, monstros, lugares gigantescos, lendas, e aventuras épicas sempre me fascinaram. Acho que o livro que mais tive vontade de ler foi O senhor dos Anéis, justamente por ser a maior referência nos livros de RPG, e ainda hoje é o meu livro preferido (sou fã de Tolkien, apesar de não ser profundo conhecedor do universo).

Conforme fui conhecendo outras histórias, algumas excepcionais, outras boas, regulares e algumas ruins, comecei a me interessar por autores brasileiros de literatura fantástica. Apesar de ainda ser pobre nesse quesito (lembro de ter lido apenas O caçador de Apóstolos (resenha aqui) e Deus Máquina, de Leonel Caldela, Hades (resenha aqui), de J. R. Moona, livro independente, e a Caverna de Cristais – o arqueiro e a feiticeira, de Helena Gomes. Recentemente adquiri minha cópia dos livros O Espadachim de Carvão, que vem fazendo bastante sucesso, e A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, que já é referência nacional nesse ramo de literatura (leitura pendente).

Sem mais delongas, um breve resumo do livro: Adapak é filho de um dos quatro deuses de Kurgala, e sem motivo aparente se vê perseguido por misteriosos assassinos, de começa a fugir enquanto vaga atrás de respostas em um mundo desconhecido (ele vivia isolado na casa de seu pai, e só conhece o mundo através dos livros que lia incessantemente). Adapak é muito inteligente, com uma habilidade extraordinária de luta (a técnica espadachim dos Círculos de Timbaul), mas é extremamente ingênuo.

O livro é bastante curto, 250 páginas, mas a história é contada detalhadamente, sem atropelar, e sem deixar pontas soltas. Todo o universo foi criado pelo autor, com criaturas, raças, cidades e lugares originais. Nada dos velhos conhecidos elfos ou orcs, as raças de Kurgala são únicas, e com características e poderes originais e muito interessantes. Além disso, o primeiro livro é fechado. Apesar de já ter sido lançada uma continuação, As Pontes de Puzur, e uma HQ (Crônicas do Espadachim de Carvão – Tamtul e Magano e A Ameaça de Rumbaba) este livro pode ser lido independentemente. O autor vai contando a história com capítulos intercalados. Um dos capítulos conta a situação atual de Adapak, avançando a história, outro conta algum ponto importante do passado, preenchendo as lacunas que ficam abertas. Isso torna a história dinâmica, e deixa o leitor atento até o fim, pois os segredos só são revelados no término do livro.

O protagonista, o jovem Adapak é muito carismático. Solano conseguiu criar um personagem muito interessante, tanto na personalidade, que descrevi acima, como fisicamente (o nome do livro é bem descritivo). Adapak não possui as cartilagens no nariz e orelhas, e é completamente preto, não negro, mas preto mesmo, como carvão.

Sobre Affonso Solano, apesar de ser seu primeiro livro, a escrita do autor é boa. Geralmente escritores iniciantes pecam pelo excesso, mas Solano faz descrições simples, mas satisfatórias: o leitor vai passando as páginas e não tropeça em palavras rebuscadas sem necessidade, ou frases de efeito, descrições longas etc. Praticamente não percebemos o autor, apenas a história. Isso é um grande ponto positivo.

Para encerrar, afirmo: o livro é muito bom. O universo criado por Solano é bastante interessante, e com certeza eu vou ler as outras duas obras que ele já publicou, e o que vier a ser publicado futuramente.

4 estrelas em 5.

 

3 Respostas para “Resenha – O Espadachim de Carvão – Affonso Solano

  1. Estou surpreso. Esperava um três e com ressalvas (não sei por que mas esperava 😂). E agora fiquei curioso.
    Acompanho o Solano no canal do YouTube Matando Robôs Gigantes, que num resumo seria basicamente: adultos-crianças-nerds falando sobre o mundo pop, passando por livros, quadrinhos, filmes, RPG etc etc etc
    Pretendo colocar na lista. Sempre
    Tive curiosidade para ver como ele se saiu na literatura (ele também é ilustrador, se eu N estiver enganado).

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