Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – de Stieg Larsson

 

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

1 Meu primeiro contato com a obra de Larsson se deu em meados de 2010 com a adaptação cinematográfica. Assisti ao trailer na época e fiquei com vontade de vê-lo, principalmente por ser um filme Sueco num cinema em Aracaju, Sergipe, algo dificílimo de acontecer. Sai da sessão com uma impressão muito estranha. Tinha assistido a um bom thriller de suspense, de direção eficiente, com uma personagem marcante (e duas cenas beeeeem gráficas de violência sexual). E era isso… Nada mais.

 2 Dois anos depois, olha lá eu no cinema vendo outro trailer, só que agora da versão americana, e com um detalhe nada irrelevante: ela era dirigida por David Fincher, dos inesquecíveis Seven e Clube da Luta. Então eu assisti. Sabia que havia saído do cinema tendo apreciado um bom filme, muito bem dirigido, fotografado, com uma trilha sonora marcante e com atuações – da maioria das personagens – honestas, sendo a de Roney Mara um ponto fora da curva, como a sensacional Lisbeth Salander.

3 Ok. Dois filmes acima da média. Fiéis a obra original (iria descobrir isso anos depois). Todavia a sensação de que algo ainda estava faltando naquela experiência me consumia. Sensação semelhante – senão igual – a que foi com o filme Wathmen, de Zack Snyder. Eu também havia gostado do que tinha visto ali. Poxa, as mesmas cenas, mesmos enquadramentos, mesmo diálogos, mas algo estava errado… E tudo mudou quando eu resolvi reler a HQ de Alan Moore. E já ali eu tinha uma parte da resposta que iria me ajudar com esse caso de 2010, e parte da resposta veio com a palavra Empatia.

4 Seis anos se passaram desde o primeiro contato com Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, e, depois de muitas idas ao shopping e ter namorado o romance que dera origem aos filmes, lá estava eu, finalmente, comprando o livro de Stieg Larsson.

5 Como já mencionado, os filmes têm como base o romance do autor sueco e narra a história de Mikael Bomkvist, um jornalista, que trabalha na revista Millenium, e é convidado por Henrik Vanger a investigar o desaparecimento de sua sobrinha, a jovem Harriet Vanger. Vanger, apesar de passados 40 anos, e de uma longa apuração feita por ele e pela polícia, acredita piamente que sua sobrinha fora assassinada por algum membro de sua família e que essa pessoa ainda está livre. E será no desenrolar da obra que Bomkvist cruzará seu caminho com Lisbeth Salander, a hacker antissocial com a tatuagem de dragão.

6 Foram necessários apenas três dias e 525 páginas para finalmente compreender o porquê daquela sensação deixada pelos filmes. E é aqui que venho justificar a feitura desse texto, tentar explicar para você leitor por que os filmes não funcionaram comigo, e, principalmente, como eles não funcionam como adaptação.

7 Logo nas primeiras páginas algumas coisas me saltaram aos olhos. Eu estava diante de um romance de escrita simples, honesta, sem muitas firulas ou floreios. O texto logo me remeteu a um outro livro, A Sangue Frio, de Truman Capote (obra intitulada pelo próprio Capote como um “romance de não-ficcão”), autor esse também jornalista, e que conseguiu de forma genial construir uma prosa gostosa de se ler, que tinha características de texto jornalístico, mas que nada devia a qualquer outro romance tradicional. E eu via que Larsson – respeitando, claro, as devidas proporções e limitações -, havia acertado na mosca esses dois estilos na sua prosa.

8 A trama seguiu até sua última página como poucos romances até então havia conseguido comigo. Lembro-me que foram poucas as vezes que li um livro tão rapidamente. E mais, não só rapidamente mas com aquela vontade de não largar. Até então as únicas obras que haviam causado esse efeito foram os Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino, Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa, A Fúria dos Reis e A Tormenta de Espadas, de George Martin.

9 Terminei o romance e no mesmo dia assisti a versão sueca, e no outro, a americana. E, finalmente, eu pude cotejá-las e dizer as razões dos porquês de ambos os filmes não terem a mesma relevância que o livro e de terem deixado aquela sensação de vazio.

10 Não se preocupem, não vai ter spoiler.

11 Apesar de algumas diferenças significativas no roteiro e de escolher uma linha de raciocínio semelhante nas duas tramas, os filmes são praticamente idênticos quanto ao foco narrativo, que é a investigação em si, o mistério de Harriet. Ambos têm mais de duas horas e trinta minutos (o de Fincher com 6 minutos a mais), e apesar de parecer muito para uma película, eles incorrem do mesmo problema: o tempo em tela é usado mais para a investigação do que para a construção das personalidades das personagens (que a primeira vista pode parecer sem sentido de minha parte, mas chegarei lá).

12 Como disse, o tempo de investigação do crime por Mikael (e depois por Lisbeth) consome parte significativa da trama, e isso pode ser notado com mais clareza e importância na versão americana do que na sueca, em que neste ainda é possível perceber um pouco mais de atenção por parte do roteiro em construir a personalidade de Lisbeth e seu passado (chegaremos lá também).

13 A própria investigação nos filmes converge para a mesma falha e fraqueza (e estas passam longe do romance), que é a facilidade para se chegar as novas pistas do caso, coisa que o Henrik Vanger + a Polícia não conseguiram nos últimos 40 anos. No romance, Mikael é chamado para realizar dois trabalhos, escrever uma biografia da família e, principalmente, para desvendar o sumiço de Harriet. Ele passa um ano para descobrir tudo (além dos três meses que passa na cadeia). Só nos primeiros 6 meses (se eu não estiver enganado), ele nada descobre sobre o desaparecimento, apesar de todos os dias acordar no mesmo horário, manter sua rotina de investigação, passar horas e horas entrevistando e tirando dúvidas com o Vanger, membros da família e os vizinhos; nos filmes, apesar dos recursos de passagem de tempo (vide a barga de Craig e o fim do inverno e chegada da primavera e chegada do natal), e apesar das escolhas que devem ser feitas para adequar a história a nova mídia, o crime parece que foi descoberto em uma semana, um mês. A impressão que me passou é que na primeira sentada na mesa e na primeira saída para investigar o caso, Mikael já descobriu uma pista nova e extremamente relevante (vide como a bendita foto de Harriet e seu detalhe crucial é descoberto de uma maneira muito fácil nos filmes, enquanto que no romance isso leva não só tempo como também muda tudo, muda o foco por completo de todo o olhar que a investigação havia tomado desde 40 anos atrás).

14 E se no romance o detalhe nessas fotos para o desenrolar da resolução dos crimes foi tão crucial, como a descoberta em si, por parte de Mikael e Lisbeth, dos assassinatos em série e a lógica por trás deles (que vai desde a construção do mistério por trás da mudança de personalidade de Harriet até a descoberta de que ela estava fazendo o trabalho como a primeira investigadora do caso), nos filmes (um pouco menos na versão Sueca) tudo é muito rápido e saltado na tela (vide a cena de Roney Mara fica apenas descrevendo as meninas mortas através do seu notebook). E só nessa cena a gente encontra dois pontos fracos: a rapidez para apresentar os assassinatos dum possível serial-killer de mulheres (naquela montagem frenética tão peculiar nos filmes de Fincher, vide A Rede Social) e, o principal, não se preocupar em apresentá-las e contextualizá-las: mulheres esquecíveis, imigrantes, ciganos, prostituas, pobres e toda gente relegada ao esquecimento…

15 É tudo muito En Passant.

16 Chegamos a resolução dos crimes nos filmes… E o que dizer deles? Qual foi o peso de ter sido quem foi? Não consegui captar a surpresa, o impacto, nem como narrativa (no melhor estilo Agatha Christie) e nem como significado no contexto da história. Para mim foi apenas: ah, foi ele. Que bom. Nossa.

17 Tinha que ter algo a mais…

18 Lembram que falei sobre as duas missões de Mikael? Pois bem, durante a feitura da biografia da família Vanger o nosso protagonista passa meses se debruçando sobre arquivos e mais arquivos. Ele entrevista cada um dos suspeitos em potencial e em razão desses encontros ele vai conseguindo pontuar e montar um perfil de cada um, e isso funcionará não somente para que a gente – leitor – tente montar nosso próprio quebra-cabeças, mas para entendermos quem são aquelas pessoas e suas possíveis razões para o cometimento dos crimes. Nos filmes, o que temos são atores e os nomes de seus respectivos personagens e só. Figuras aparentemente estranhas e da cara enfezada e que não querem que seu passado seja mexido. Elas não têm aprofundamento nenhum; e quando o roteiro tenta fazê-lo (novamente, de passagem), falha miseravelmente, porque nos guia quase que diretamente para o criminoso.

19 Voltemos para o terceiro parágrafo do texto e chegaremos a um dos pontos cruciais: a empatia. Só que para entender ainda mais a importância dessa palavrinha, peguemos também o que foi escrito no sétimo parágrafo e a gente vai começar a perceber que não só o estilo narrativo adotado por Larsson foi importante como também aquilo que foi contado. Explico. No filme, nós temos, basicamente, as melhores partes do romance. Como havia dito, o foco das películas centrou-se na investigação, é como se o roteirista tivesse pegado o livro e o espremesse até ficar apenas as partes mais interessantes e possivelmente mais importantes para o entendimento da história.  Mas com o desenrolar do romance eu tinha visto que não; em ambos os filmes o apresentado não foi o mais importante e muito menos dava real significado para a história.

20 Eu estava diante de algo muito maior.

21 Larson, acima de tudo, contou um drama familiar. Nos presenteou com um enredo muito divertido, cativante e personagens memoráveis e com vida própria. Para tal, ele precisou usar de um recurso muito semelhante com o de Vitor Hugo em Os Miseráveis que – novamente, ressalvadas as devidas proporções – foi o de construir todo um cenário e uma narrativa antes de contar a sua história propriamente dita. Peguemos como exemplos a própria descrição e relevância da revista Millenium. Tentem recordar se nos filmes ficamos sabendo algo mais sobre onde Lisbeth trabalhava e se seu chefe tem alguma relevância na sua personalidade (voltarei a esse ponto). E sobre o tutor antigo e o atual dela, o que temos? O antigo sabemos que ele sofreu um enfarto e que o atual… Melhor não comentar ainda. Mas posso dizer que para a feitura da personalidade de Lisbeth é imprescindível saber que ele tinha um passado impecável, que não tinha podres e segredos, e muito embora se apresentasse dessa maneira, ele fez o que fez a ela. No filme ele se apresentou apenas como um doente FDP.

22 Tanto no filme quanto no romance Mikael acaba de ser condenado em razão de um artigo que ele publicara sobre um grande empresário. Condenado por difamação e calúnia. No livro ele deve pagar uma multa e passar três meses na cadeia. Nos filmes, em razão de mudanças no roteiro (compreensível, já que estamos falando e outra mídia), temos uma adaptação dessas duas penas. Ele é convidado pelo Senhor Vanger, apesar de relutar, e acaba aceitando o convite peculiar do velho milionário. E é isso que temos dessa personagem: um jornalista – supostamente talentoso – que fez cagada, ia ser preso e aceitou um trabalho de investigação de um estranho.

23 Eu seria injusto se não desse créditos a Craig (versão americana) e não dissesse que ele se apresenta um pouco mais parecido com a personalidade do jornalista do livro. O “007” é mais simpático, sagaz e, apesar de não ser um galã clássico, trai para si um charme próprio, o que casa perfeitamente com o Mikael dos livros. Enquanto que Michael Nyqvist (versão Sueca) traz um personagem blasé, embotado que nunca se dá conta de nada e parece ser indiferente a estímulos sensoriais. A versão americana também ganha pontos ao insinuar que Bomkvist tem um caso com Erika, co-diretora da revista Millenium, enquanto que a versão Sueca descarta isso por completo. Apresenta também, mesmo que En passant, a preocupação dele com a filha, quando esta resolveu entrar numa igreja de nome estranho, remetendo ao caso de Harriet e seu repentino interesse pela bíblia. Outro relacionamento retirado de ambos os filmes (apesar do Sueco tentar insinuar que iria acontecer algo) é o de Mikael com Cecília Vanger. No livro eles têm um relacionamento apenas sexual, que foi retirado de ambos os filmes. Esses pontos podem parecer desnecessários (principalmente esse último), mas estamos falando de camadas de uma personagem, coisa que esse jornalista tem e muito. Saber disso também nos faz perceber e saber que ele é de certo modo “pegador” e, também, livre de muitos preconceitos (Erika é casada. E se isso já não fosse suficiente, o caso é com uma mulher cujo marido sabe disso e não se opõe (detalhe esse que também alimenta a curiosidade de Lisbeth sobre Mikael)). Aqui – no livro – nos deparamos com um final arrebatador em que ele terá de jogar por terra (ou não) sua ética e tudo aquilo em que ele acreditava até então. Sem esse dilema (não darei spoiler), sem esse martírio e embate mental – reitero – ele é só o cara que resolveu o mistério junto com a inesquecível Lisbeth. Sabedor disso tudo, como despertar interesse nessa figura em ambos os filmes em comparação com o do romance? (volte para o parágrafo 21).

24 E, finalmente, chegamos a acachapante Lisbeth Salander (parafraseando meu irmão, a Lannister do livro: A lanister Always pays his debts).

25 De antemão é preciso parabenizar as duas atrizes que interpretaram a musa de Larsson, Rooney Mara (americana) e Noomi Rapace (na versão sueca); enquanto que neste ela tem um caráter dominante e não leva desaforo pra casa, a versão vivida por Mara tem um perfil mais passivo agressivo, sofre em silêncio, guarda sentimentos, é (aparentemente) mais frágil (vejam como ela nunca foca os olhos a quem lhe dirige a palavra, ou mesmo no seu andar sempre encolhida, como um animal acuado).

26 Muito embora as duas interpretações tenham sido respeitáveis, os filmes estão longe de apresentar a complexidade da Lisbeth do livro. Eu entendo que a mídia é diferente. Eu sei também que como se trata de uma adaptação, o diretor pode escolher o que mais de relevante ele vai apresentar e, mais importante, como vai apresentar. Mas é preciso dizer que assim como as demais personagens da trama, Libeth é uma delas que se perde em meio a essas escolhas narrativas dos filmes. Nestes o que temos é uma garota revoltada, introspectiva, magoada com seu passado e (guardem isso): indiferente às pessoas a sua volta (o que no livro se mostra muito mais do que isso, justamente por termos as condições de sabermos os pensamentos dela por trás de suas regulares respostas curtas e incisivas).

27 Como perscrutar a mente de Lisbeth sem compreender a importância de algumas figuras chave na vida dela e como essas mesmas figuras agiram com ela? Vamos ao tutor, o que sofreu um infarto. Em ambos os filmes isso é mostrado de passagem e a gente não consegue saber que ele foi um dos únicos a compreender e respeitar Lisbeth como ela era, e que ele não estava lá para mudá-la ou convertê-la (características essas que ela remete ao próprio Bomkvist). E não saber do antes dele e o impacto depois dele na vida dela é empobrecer e diminuir mais uma camada importante na personagem. Assim como foi assustador descobrir – no livro – com Lisbeth que o passado (vide parágrafo 21) do novo tutor era impecável e mesmo assim ele fez o que fez. Nós não temos isso no filme. E se faz necessário reiterar como é importante esse tipo de informação, já que apesar do acontecido ser revoltante do mesmo jeito, ter essa informação casa perfeitamente com tudo aquilo que o romance se propõe a abordar, tendo como foco principal: a violência contra a mulher (vide parágrafo 14 também). E isso, para a personagem, é imprescindível, já que ela, novamente, passará por outra situação em que deixará de confiar em mais um HOMEM – fora o primeiro tutor, o chefe dela (relação não abordada nos filmes) e, no desenrolar do livro, apesar de mais um estranho na vida dela, Mikael.

28 Então chegamos a Mikael e Lisbeth e a relação de ambos. E eu preciso dizer: como foi estranho para mim aquela cena (em ambos os filmes) quando do nada ela pula em cima dele e começam a transar. Eu não sabia o que interpretar dali. Até então eu não tinha conseguido capitar nada das duas personagens: um jornalista e a outra uma hacker-punk-gótica que transava com quem ela quisesse e bem entendesse e sem maiores explicações? Era isso mesmo que eu estava vendo? Sim, pelo visto, no filme sim. Mas ai eu peço que o leitor siga o joguinho e volte para o terceiro e sétimo parágrafos e então você vai finalmente entender (se já não entendeu rsrs) que só no romance de Larsson para a figura de Lisbeth se apresentar “perfeitamente”. Ela é tudo isso que vimos nas duas atuações e tudo aquilo que as atrizes não conseguiram ou não tiveram como transmitir, mas que o Stieg Larson conseguiu fazer ao descrever seus pensamentos antes ou depois de alguma ação ou fala. E sabedor disso foi que eu fui conseguindo entender por que daquela cena de sexo, que antes para mim havia sido gratuita. Não foi “Só” sexo, foi o Só porque eles queriam e podiam (e isso é importante dizer para entender um pouco de ambas as personagens), como para a própria Lisbeth foi uma entrega por estar se sentindo mais próxima de alguém novamente.

29 O texto foi longo mas espero ter conseguido transmitir os porquês de eu acreditar que esse romance não funciona numa adaptação cinematográfica. Talvez numa série, já que teríamos mais tempo para desenvolver tudo que foi colocado de lado em razão da escolha de um foco narrativo. Ou mesmo, quem sabe, o problema esteja simplesmente na confecção que não foi feliz. Algo que não aconteceu com os irmãos Coen, quando estes brilhantemente conseguiram no Onde os Fracos não têm Vez colocar em tela não só a atmosfera, mas as mensagens do livro de Cormac McCarthy. Neste filme aqui a gente não liga para as personagens, não faz diferença saber de onde vieram e para onde vão (escolha acertada, pois o livro também é assim). Já no romance de Larsson existe todo um contexto para as diversas personagens e isso é vital para o livro dele deixar de ser apenas um romance policial – sobre um jornalista e uma garota com tatuagem de dragão e piercings na cara – para algo muito maior e memorável.

Nota 5 em 5.

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Resenha – A visita cruel do tempo – Jennifer Egan

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Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Se tem um livro de ficção recente que rivaliza com A fantástica vida breve de Oscar Wao (resenhado aqui) no que toca ao prestígio junto aos críticos, este livro é, sem dúvida, A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. Como não poderia deixar de ser, ele estava na minha lista, no meu cânone imaginário, e, aproveitando uma compra de livros para meu filho na Amazon brasileira, comprei o meu exemplar e coloquei-o na frente de tudo que planejava ler.

Queria tirar a prova, ver se com este aqui eu também iria me decepcionar.

Uma diferença fundamental que eu tive na experiência de leitura dos dois livros é que enquanto eu sabia muito bem do que tratava o livro sobre Oscar Wao (o que, de fato, não impediu que eu me surpreendesse com o teor da obra), sobre A visita cruel do tempo eu não sabia nada mais além do frisson que ele causou e do que sugere fortemente seu título: arrependimento, remorso, sensação de perda, enfim, o que quer que você imagine que acontece quando você recebe (ou percebe) a visita cruel do tempo, a mostrar tudo que você deixou de fazer ou não conseguiu fazer ou fez, só que se arrependeu etc. Continuar lendo

Harry Potter e a Pedra Filosofal – Edição ilustrada

capa hp

Por Eduardo

Sobre Harry Potter, e a ficção fantástica…

Quando li Harry Potter pela primeira vez em agosto de 2010 (resenha aqui), e foi um vício instantâneo (nesse mesmo mês li os 7 livros). Quem acompanha o blog, e até vendo os últimos posts, já percebeu minha predileção por livros de ficção fantástica, tendo Tolkien como meu autor preferido, e o mundo criado por J. K. Howling é fascinante em muitos sentidos diferentes.

Não tenho que apresentar Harry Potter a ninguém, a menos que a pessoa tenha sido aprisionada em um vórtex temporal nos últimos 19 anos (o primeiro livro foi lançado em junho de 1997, e o primeiro filme em novembro de 2001), então vamos direto ao ponto: na literatura de ficção, o que atrai os leitores é a possibilidade do fantástico, do irreal. Seja na Terra Média épica de Tolkien, ou a brutalidade de Westeros (As crônicas de gelo e fogo e Guerra dos tronos), nos deixa apaixonados pelas possibilidades de aventuras, os personagens cativantes, bravos aventureiros etc. Porém tudo isso não passa de sonho (ou de uma partida de RPG).

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Rosto de caveira, os filhos da noite e outros contos – Robert E. Howard

capa rosto de caveira

Por Eduardo

Robert Ervin Howard foi um grande escritor americano, criador e ainda hoje maior representante do gênero de literatura fantástica “sword and sorcery”, ou “espada e feitiçaria”. Esse gênero é simplesmente sensacional. Dentro do sub-gênero de literatura fantástica de fantasia, encontramos a fantasia épica, onde há grandes heróis capazes de feitos morais e às vezes físicos além do humano para realizar grandes missões de salvar o mundo (Senhor dos Anéis), realistas/políticas (como As crõnicas de gelo e fogo), e aqui nesse meio incluímos o gênero de Howard, onde os personagens principais não almejam a paz mundial, e o bem estar de todos (geralmente os objetivos são egoístas ou simplesmente particulares – enriquecimento ou vingança, por exemplo), e a magia é tratada como algo realmente sobrenatural, e muitas vezes perverso. Conan é a principal obra do gênero.

Infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler contos ou o romance de Conan (que deu origem ao filme); na verdade essa coletânea de contos é o meu primeiro contato com Howard, que é bem pobre em questão de obras traduzidas pra pt-br… Essa edição da Martin Claret é muito bonita, a capa com a caveira ficou bem legal, e a diagramação interna, com cores em laranja, ficou linda. Some-se a isso o preço acessível do livro, e não há desculpas para não adquiri-lo e conhecer mais sobre esse grande autor e sua obra.

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