Resenha – O Nome da Rosa – Umberto Eco

IMG-20140710-WA0023

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

O Nome da Rosa é um livro grandioso, mal travestido (intencionalmente) de uma história de investigação. Não dá para ler sem considerar tudo que se fala e tudo que se sabe de Umberto Eco, um homem de erudição ímpar, um estudioso, amante do conhecimento, da história, da literatura. Se feita uma análise superficial, a trama de O Nome da Rosa é relativamente simples, e, ainda assim, satisfatória: no início do século XIV, um ex-inquisidor, o inglês William de Baskerville (na tradução que li, não sei por que, traduziram o nome para Guilherme), chega a uma abadia famosa na Itália, na companhia de um noviço, Adso de Melk, para investigar um assassinato (ou seria um suicídio?) de um dos monges, ocorrido no dia anterior. William de Baskerville é um gênio, observador arguto, cuja capacidade de dedução, imagino, faria inveja a Sherlock Holmes ou a Auguste Dupin, seus tatatatatataranetos a quem Eco quis, claramente, homenagear com seu primeiro livro. Ao longo de sete dias, diversos outros assassinatos acontecem, e o investigador precisa correr contra o tempo – e mostrar todos os seus dons – para descobrir quem é o responsável por aquelas mortes. Adicione a esta premissa uma biblioteca homérica, uma das maiores do mundo, construída há séculos e repleta de segredos, a começar, por exemplo, da sua arquitetura: construída no formato de um labirinto, qualquer um que tentar percorrê-la corre o risco de se perder e não mais encontrar a saída. Para aumentar ainda mais o caráter sensacional da biblioteca, somente o bibliotecário tem acesso a ela. Por meio dele os monges chegam a alguns livros, já que nem todos os volumes estão disponíveis para consulta. Continuar lendo

Resenha – Dias Perfeitos – Raphael Montes

raphael-montes

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Ouvi falar de Raphael Montes pela primeira vez há uns dois ou três meses. Na verdade, vi um vídeo do próprio Raphael Montes se apresentando como escritor de romances policiais no canal do YouTube do Literatortura. A partir daí, vi seu nome aparecer em todo lugar: destaque nos sites da Saraiva, da Companhia das Letras, entrevista no Jô Soares, resenhas em alguns blogs. Em todos os casos destacava-se o talento deste jovem escritor, com especial destaque para “jovem”. Não é para menos, já que Raphael Montes sequer completou 24 anos e já tem um dos seus livros publicados por uma das maiores editoras do país e, segundo consta, com ótimas vendas.

Como o blog tem parceria com a Companhia das Letras, decidi pedir o Dias Perfeitos. Gostei bastante de todos os vídeos que o Raphael fez no Literatortura: sem frescuras, sem afetações, falando diretamente, sem medo de se definir como pertencente ao gênero policial. Continuar lendo